sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quem tem fome não sabe o que come.

...Ausente do companheiro, a cachorra Baleia tomou a
frente do grupo. Arqueada, as costelas à mostra, corria
ofegando, a língua fora da boca. E de quando em quando se
detinha, esperando as pessoas, que se retardavam.
Ainda na véspera eram seis viventes, contando com o
papagaio. Coitado, morrera na areia do rio, onde haviam
descansado, a beira de uma poça: a fome apertara demais os
retirantes e por ali não existia sinal de comida. Baleia
jantara os pés, a cabeça, os ossos do amigo, e não guardava
lembrança disto...

5 comentários:

Lorenzo :) disse...

Tu escreve bem mesmo, hein amigão!
Sucesso!
Abrass!

Anônimo disse...

Eu passei meu terceiro ano todo ouvindo sobre isso. Não li. Mas não há como esquecer Baleia.

:*

Claudia Baptista disse...

caraca... a baleia!
eu me identifico muito com ela... depois que li vidas secas, todo o cachorrinho que via na rua me lembrava da baleia.

que sensibilidade, né? esse livro é fantastico mesmo

=*
=)

Unknown disse...

q bom q minha recomendaçao do texto ficou legal .Vidas Secas é um otimo livro.

Beijos Amor
=*

Anônimo disse...

parabens, Graciliano ! HEHEAHAE ;D